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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Reciclar o Meio Ambiente

Reciclar esta na moda. Como já esteve a alimentação natural, as academias, o videocassete, e até o John Travolta.
O tema é reciclar, separar resíduos orgânicos e inorgânicos, plásticos de latas e garrafas, papéis de restos de comida.
O despertador nos expulsa do paraíso. Acordamos com muita relutância em abandonar nossos lençóis cem por cento sintéticos, calçar nossos chinelos de borracha indeformável e indissolúvel, dirigirmo-nos ao nosso banheiro, onde acenderemos as lâmpadas que obrigarão nossos governantes a desmatarem florestas e desviarem cursos de rios para produzir a energia por nós desperdiçada, abriremos as torneiras do lavatório que extinguirão a água potável do planeta, sentaremos em nosso assento plástico acolchoado derivado de petróleo, produziremos o número um e o número dois que, depois de diligentemente conduzidos pela empresa estatal responsável pelo encaminhamento dos dejetos humanos ao fio de água mais próximo, poluirão nossos rios e, desta forma, matarão os peixes e outras espécies de vida que ainda não tenham sido dizimadas pelas nossas indústrias.
Retornamos ao quarto pisando suavemente em lâminas de madeira produzidas pelo desmatamento desenfreado e irresponsável e, abrindo as portas de nosso armário, escolheremos roupas produzidas pela exploração do trabalho escravo em algum país asiático e calçaremos nossos sapatos em couro natural de algum animal abatido para tal fim. Desceremos os degraus de nossa escada em granito de alguma extração clandestina em algum estado do nordeste e, chegando à sala de jantar, contribuiremos com a diminuição da camada de ozônio, utilizando o controle remoto do ar-condicionado. À mesa, nos aguardam várias porções de alimentos industrializados como leite longa vida desnatado e estabilizado, conservado em atraente embalagem tetrapak, cereais desidratados com toda a tabela periódica em anexo, sucos com aroma natural da fruta sem a presença da mesma, farináceos de origem indeterminada, e uma maçã que, de tão sufocada por agrotóxicos, ruboresceu e intumesceu.
Apanhamos a chave do carro que, solitariamente, conduziremos em meio às descargas de monóxido de carbono até nosso escritório, que dista longínquas duas quadras de nosso lar. Pensamos por um momento no nababesco buffet executivo que nos aguarda para o horário de almoço em algum restaurante da moda, sem lembrarmos das toneladas de alimentos desperdiçados nos fast foods do mundo.
Quase esquecemos o celular 3G, e-books, I-pad, net e notebook e sua parafernália de componentes não recicláveis e cancerígenos. Programamos o microondas, a televisão, as cortinas e o alarme de nossa casa inteligente e, com o pé na porta de entrada, lembramo-nos que hoje é dia do lixo seco, retornamos para recolher os dois saquinhos de supermercado, nossa valorosa contribuição para a preservação da espécie humana.


5 comentários:

  1. é um horror... tantos anos aprendemos a usar de tudo, menos descartar de maneira eficiente.
    morando aqui no Japão tantos anos, a gente aprende a reciclar tudo, hoje não me imagino jogando o lixo todo misturado em uma única lixeira (aqui separamos em mais de vinte lixeiras diferentes).

    o mundo não aguenta mais... até mesmo reciclar é pesado, usa recursos... a Terra não aguenta mais.

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  2. Bom dia Paulo.

    Assunto delicado. Texto pesado, e necessario. Acho que tenho uma boa nocao de reciclar, de nao desperdicar, e de respeito ao nosso planeta. Desde quando morava no Brasil, NUNCA joguei lixo na rua. Papelzinho de chicletes, de bala, eu colocava no bolso, ou esperava encontrar uma lata de lixo pra loga-los fora. Minhas amigas riam de mim. Acho estranho que adultos tenham que ter leis para obriga-los a agir corrretamente.
    Claro que eu nao reciclo tudo, e que gosto dos gadgets da vida moderna, mas no dia a dia, eu tenho em mente o meu papel no planeta. Dificilmente desperdico agua, luz. Uso somente o necessario, o que causa atrito com meu marido, que nao tem essa mesma nocao minha. o que faz certas pessoas acharem que sou esquisita. E por ai vai...
    Nossa, parece que estou escrevendo um testamento - rsrsrs.
    Se todos nos fizessemos um pouquinho que fosse, sem hipocrisias, sem fazer porque e moda, se realmente conscientizassemos de nossa obrigacao, e ter atitude de respeito por tudo, e todos, um pouquinho que fosse...

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  3. PAULO,
    BOM DIA!
    EXCELENTE POST! GOSTEI MUITO E VOU PASSAR PARA MINHA FILHA QUE ACABA DE APRESENTAR SUA MONOGRAFIA NA FACULDADE SOBRE O TEMA: "AVALIAÇÃO DA CONSCIENTIZAçÃO AMBIENTAL QUANTO AO MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS".
    APROVEITO TAMBÉM PARA AGRADECER SUA VISITA AO
    MEU BLOG.
    SONIA DE SÁ
    quartosdebebebysoniadea.blogspot.com

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  4. Uma beleza de texto. Nada com ter o olhar exato.
    Parabéns.

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  5. Olá! Bem-vindo ao blog Criações em família & cia.. Gostei muito do Urbanascidades - seguirei! Gostei de ver PAlegre por aqui e tudo o mais. E esse post, oportuno. Porto Alegre por exemplo, tem muito a aprender e melhorar nesse quesito. A gente tem dificuldade de descartar determinadas coisas... fico juntando, untando, até que encontro um local para descartar. E mesmo assim, fico pensando se vai ter destino certo mesmo!

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