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terça-feira, 17 de junho de 2014

DIÁRIO DE BORDO 1500 - A VIAGEM


CAPÍTULO 2 - A VIAGEM
Diário de bordo data estelar nove de março de mil e quinhentos. Zarpamos do Restelo, fortificação de pedra junto à praia de Belém, de influencias islâmicas e orientais, composta de uma torre quadrangular e um baluarte poligonal com dezesseis canhoneiras para tiro rasante de artilharia, e uma segunda linha de tiro no terrapleno da Praça de armas em uma segunda-feira. À nossa frente, dez naus e, seguindo a nossa caravela, mais duas, totalizando treze embarcações. Olhando para o porto, recordo-me das despedidas ao longo do Tejo, com o baluarte de Cascais à direita, ainda em obras, e na esquerda, o da Caparica, na foz mais estreita do rio. No comando da frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, alcaide-mor de Belmonte, que do alto dos seus 1,90 m e espessa barba sobressaia-se junto aos seus quase mil e quinhentos comandados. Entre marujos, soldados, degredados, astrônomos, grumetes, capitães de sangue nobre, pilotos e escrivães como eu, a maior parte com idade entre 15 ou 16 anos de idade, sem experiência partia a maior expedição jamais enviada.

Segundo nossos cozinheiros, levávamos provisões para uma viagem de aproximadamente dezoito meses. A nossa tríplice missão (comercial, diplomática e militar), procuraria estabelecer um entreposto comercial com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, Partimos com os porões abarrotados de tesouros para efetuar o intercambio, e canhões, pólvora e armamentos se os argumentos falhassem.

−Recebemos mensagem de nosso correspondente nas Ilhas Canárias, descrevendo a passagem da expedição pelas ilhas.
“Estamos escrevendo diretamente das Ilhas Canárias, cuja conquista iniciou-se em 1402 com a expedição dos Normandos Jean de Bethencourt e Gadifer de la Salle, a mando dos reis de Castela e com apoio da Santa Sé, somente concluída em 1496 com a rendição dos Guanches em Tenerife. Observamos a passagem da expedição no sábado. Maiores informações com o nosso enviado especial”.

“Seguimos a costa africana. No sábado, data estelar de quatorze de março de mil e quinhentos havíamos ultrapassado as ilhas Canárias, colonizadas e conquistadas em definitivo em 1496. Pero Vaz de Caminha escreveu: Entre as oito e nove horas, nos achávamos perto a Grã-Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três ou quatro léguas”.

−Interrompemos a descrição de viagem de nossos correspondentes para apresentarmos o perfil de Pero Vaz de Caminha.
Escritor português, filho de Vasco Fernandes de caminha, cavaleiro do duque de Bragança, nascido em Porto, foi cavaleiro das casas de D. Afonso V, D, João II e de D. Manoel I. Herdou do pai o cargo de Mestre da Balança da Moeda, e em 1497 foi escolhido para redigir, na qualidade de vereador, os Capítulos da câmara Municipal do Porto. Foi nomeado escrivão da feitoria a ser erguida em Calecute, na Índia, motivo pelo qual se encontra na nau capitania da armada de Pedro Álvares Cabral.

“O mar – a fronteira final. Estas são as viagens das nau marítima ‘NINAPINTASANTAMARIA’ em sua missão de cinco anos de explorar novos mundos, novas civilizações, corajosamente indo onde homem algum jamais esteve”. Seguimos a costa africana, na altura de Guiné, desvia-se a rota, navegando ao sabor dos ventos alísios em direção ao ocidente, com o propósito aparente de procurar melhores condições de vento. Em dado momento, pode-se observar que havíamos nos desviado da rota originalmente prevista. Consultando os astrônomos, estes informaram que o propósito aparente seria procurar melhores condições de vento, pois aproximava-se um período de calmarias. Uma fonte do alto escalão segredou-me que tratava-se de uma missão secreta para explorar as terras desconhecidas no lado português do Tratado de Tordesilhas. Enfrentando tempestades, noites negras, o tédio da viagem, os períodos de calmaria e outros episódios dramáticos inclusive a perda de um dos navios, ocorrida na data estelar de vinte e três de março de mil e quinhentos, segunda à noite, um dia após nossa passagem pelas ilhas de Cabo Verde, mais precisamente a ilha de São Nicolau, segundo Pero Escobar, piloto...”.

−Informamos em edição extraordinária a primeira tragédia ocorrida em alto-mar. Segundo pudemos levantar, o navio comandado pelo marinheiro Vasco de Ataíde desapareceu sem motivo aparente, apesar dos esforços do capitão em encontra-los. Não foi possível descobrir o número de baixas e se houve algum sobrevivente. Vasco de Ataíde, ou Taide foi um marinheiro português. Pouco se sabe sobre ele. Retornamos ao relato de nosso correspondente: “Segundo palavras de Caminha:” Na noite seguinte segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais".

−Retomando a ordem cronológica dos fatos, interrompida pela trágica informação do desaparecimento de um navio, retornamos as ilhas de Cabo Verde, com nosso correspondente.

−Arquipélago localizado ao largo da costa da África, composto de dez ilhas vulcânicas pequenas e montanhosas, foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes a serviço da coroa portuguesa, sendo colonizado por escravos da costa africana para cultivar algodão, árvores frutíferas e cana-de-açúcar. Observamos a passagem da expedição no dia 22 junto à ilha de São Nicolau.

capítulo final amanhã...

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